Vincenzo nasceu no dia 23 de junho de 1954. Mirrado, igual a seleção do seu país – a Itália -, que naquele mesmo dia sofreu ao ser derrotada por 4 a 1 para a Suíça e dar adeus ainda na primeira fase da Copa do Mundo.
O menino cresceu e acompanhou de perto Inglaterra-66. Novamente, uma eliminação. E pior, a Azzurra de Mazzola e Facchetti fora derrotada pela Coreia do Norte.
Em 1970 ele vibrou. Até a final, claro. Mas a heróica vitória contra a Alemanha por 4 a 3 na semi-final deu ao garoto uma certa tranqüilidade. Ele sabia que as coisas melhorariam para o seu time.
Só em 1982. Juventino, tinha como ídolo o lateral Cabrini, titular daquela seleção. Sofreu bastante com três empates na primeira fase. Mas a alegria o aguardava. No Sarriá, Paolo Rossi acabou com o Brasil de Zico, Falcão e Sócrates.
Não deu outra: nem a Polônia de Lato e Boniek nem a Alemanha de Rummenigge e Breitner foram páreas para a toda-poderosa Itália.
Os anos passam e cabelos brancos começam a nascer na cabeça de Vincenzo. Madeixas parecidas com a de um velho conhecido seu de Juventus: Marcello Lippi.
O técnico levou a equipe chefiada dentro de campo por Cannavaro ao tetracampeonato mundial.
Vincenzo era só alegria. A Itália tinha chance de empatar com o Brasil em números de títulos conquistados. Era apenas uma questão de tempo.
Tempo que não é justo.
Sem brilho, sem craques, sem raça, sem coração. Empates em 1 a 1 contra Paraguai e Nova Zelândia.
Time apático, sem expressão. A Itália merecia mais. Mas quando se deu conta, já perdia por 2 a 0 para a ex-lanterna do grupo, a Eslováquia.
A Azzurra, medrosa e estranha, fez o primeiro, com Di Natale. Mas aí o mundo novamente desabou em uma falha defensiva: 3 a 1.
Quagliarella marcou um golaço e diminuiu. Os jogadores no banco de reservas, os torcedores do Ellis Park, na Itália e Vicenzo suavam frio; tremiam de medo.
Aos 50 minutos do segundo tempo, Pepe teve a chance. Mas errou o alvo. O que seria um empate épico e histórico fora uma derrota vergonhosa.
Vincenzo não queria acordar daquele pesadelo. Custava a acreditar que tudo aquilo que via era irreal.
Por parte era, já que ele viu a derrota a sete palmos. O italiano morreu junto com seu time, pouco depois da conquista do tetra.
Tempo que é traiçoeiro. Tempo que é fatal.









