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Santiago Bernabéu, Madri, Espanha. No placar, Bayern München 0 x 2 Inter.

O verdadeiro catenaccio armado por José Mourinho. Implacável. Diego Milito marcou dois gols em duas oportunidades de fazê-lo.

Diz Vitor Birner: “(Os italianos) São mestres nisso, assim como no futebol pré-globalizado ninguém tinha disciplina tática e chutes de fora tal qual alemães, nenhuma seleção trocava passes como os argentinos, ou era perigosa na bola aérea como os ingleses, ou tinha capacidade criativa e de improviso brasileira.”

Interessante é que a Inter utilizou apenas um italiano na partida: Marco Materazzi, que entrou nos acréscimos do segundo tempo. Mou conseguiu tirar o melhor de cada jogador para formar o sólido esquema defensivo.


Na decisão, Cambiasso foi um monstro. Sneijder parecia Neeskens, atacando por todos os lados e completando a linha do meio-campo. Milito, mesmo sozinho no ataque, fazia Van Buyten e Demichelis tremer. Os zagueiros do Bayern são ótimos no alto. Mas pelo chão…

Eto’o, que veio à Inter no lugar de Ibrahimovic, não teve o papel de goleador em Milão como teve na Catalunha. Mas mesmo assim foi peça-chave no time. O camaronês era o segundo atacante, o ponta-direita e o meia-direita. Na final, incumbiu de parar Altintop, que atacava Maicon.

Robben, o jogador d’oro da Baviera, tentou, tentou; mas romou. Chivu, substituindo Thiago Motta, suspenso, parecia com medo de marcar do holandês, mas o fez direitinho. E também o fez corretamente com Lahm, o “segundo” ponta-lateral do time alemão.

Um time, mais Diego Milito

Atacante argentino de 30 anos. Matador. Foi contratado junto ao Genoa após grande temporada – marcando 24 gols no Calcio. Milito firmou-se titular, e conseguiu a proeza de marcar nas três finais de 2009-10: Coppa Italia, contra a Roma; última rodada da Serie A, contra o Siena; e a doppietta na Champions League.

Ele, sempre ele

Mão também de Mourinho, que pediu a contratação do atacante. Como foi a de Thiago Motta, Lúcio e, principalmente, do esquecido Wesley Sneijder, encostado no Real Madrid.

A Inter conseguiu voltar ao topo da Europa, fato que não conseguia desde 1965, após o bicampeonato europeu sob comando do argentino Helenio Herrera e presidência de Angelo Moratti, pai de Massimo. E voltou com classe, eliminando os campeões espanhol (Barcelona), inglês (Chelsea) e alemão (Bayern).

O português deixa os nerazzurri com a inédita Tríplice Coroa. Com a verdadeira Tríplice pois o Milan – em três oportunidades – e a Juventus conquistaram a Supercopa Europeia, a Liga dos Campeões e o Mundial Interclubes em uma mesma temporada.

Agora, a galáxia do Real Madrid te espera – e Maicon? E Sneijder? Ciao, Mourinho. Il sogno nerazzurri foi realizado; chorado.

Festa blucerchiata após a vitória de 1 a 0 sobre o Napoli e a conquista da vaga

A Sampdoria foi uma das pedras no sapato da campeã Inter (veja no Quattro Tratti). A Samp, depois de quase colocar a mão na taça europeia, foi rebaixada, mas voltou a Serie A para integrar o pelotão dos clubes de ponta do Calcio nesta temporada. Vamos rever a história da Samp sob comando vitorioso de Vujadin Boskov, os cinco anos de Sven-Göran Eriksson em Gênova, o fracasso de David Platt e Luciano Spalletti, a campanha da Serie B com Walter Novellino e a heróica classificação ao mais importante torneio europeu com Luigi Delneri.

De cabeça baixa

As coisas não iam nada bem em 1977. Sob comando de Eugenio Bersellini, que sucedeu as fracassadas temporadas dos técnicos Giulio Corsini e Guido Vincenzi, os blucerchiati foram rebaixados à Serie B. Com 24 pontos em 30 jogos, a Samp desceu de divisão juntamente com o Catanzaro e o Cesena. Para piorar a situação, seu arquirrival Genoa permaneceu na elite. Os tifosi azuis de Gênova sentiam saudades do matador Giuseppe Baldini – 53 gols pela camisa azul entre 1946 e 1950, que há muito já tinha parado de jogar.

Mantovani foi o principal responsável do retorno da Samp à elite

1979. Ano que a Sampdoria foi adquirida por Paolo Mantovani, um burguês do petróleo. Ele queria que o time genovês voasse alto e, para isso, fez sua primeira grande contratação em 1981.

A volta à elite

Nascido em San Miniato, uma província na Toscana, Renzo Ulivieri assumiu a Sampdoria após fracassar no Perugia e mandá-lo para a Serie B  na temporada anterior. O italiano montou um excelente esquadrão com os blucerchiati, teve a defesa menos vazada do campeonato – 25 gols – e voltou à elite após acabar o campeonato na terceira posição.

Em 1982, Mantovani manteve Ulivieri que, a partir de então, contaria não apenas com o goleiro Paolo Conti, mas também como o inglês Trevor Francis, ex-Manchester City, e do jovem atacante comprado junto ao Bologna Roberto Mancini. Um sétimo lugar logo no primeiro ano de Serie A foi de bom grado. E por um ponto o Genoa não foi rebaixado…

Ano vem, ano vai; jogadores chegam, jogadores vão. A Sampdoria foi ganhando força com as contratações de Pietro Vierchowod, ex-beque da Roma, Ivano Bordon, ex-goleiro da Inter, e de Gianluca Vialli, promessa que começou a vingar na Cremonese.

Por outro lado, Renzo deixou o clube para assinar com o Cagliari. Veio Eugenio Bersellini, do Torino, para seu lugar. Apenas um 11º lugar no Calcio pois as atenções da Samp eram na Coppa Italia.

Vicenza, Torino e Como ficaram para trás. Na final – disputada em dois jogos – tinha a Roma de Toninho Cerezo, Carlo Ancelotti, Bruno Conti e o matador polaco Boniek.

Em 6 de junho, Luigi Ferrari lotado para a primeira partida. Samp ganhou por 2 a 1, com gols de Roberto Mancini e Galia. Tovalieri descontou. No Olímpico de Roma, Cerezo acabou com a partida e marcou um dos gols da vitória por 2 a 0. Sonho acabado? De jeito nenhum.

Siamo noi!

Fora das quatro linhas, Boskov dominou a Itália

Mudança de técnico: sai Bersellini, entra Boskov. Vujadin Boskov. O sérvio, que jogou no clube blucerchiati na temporada 1961-62, voltou a Gênova após boa passagem por Real Madrid (no começo da década de 80) e Ascoli, último time antes de assinar pela Samp.

1986 foi o ano do double do Napoli. O sensacional Diego Maradona ajudou os partenopei a conquistarem o Scudetto e a Coppa Italia. Mas lá estava a Sampdoria conquistando uma vaga na Copa da Uefa da temporada seguinte. À época, Paolo Mantovani conseguiu contratar o futuro grande goleiro Gianluca Pagliuca, o alemão Briegel e Toninho Cerezo.

Apesar de não ter obtido sucesso na Europa em 1987, as duas temporadas seguintes foram de conquistas domésticas: a Sampdoria conseguiu o bicampeonato consecutivo da Coppa Italia derrotando o Torino (em 1987-88) e o Napoli do gênio argentino após vencer por 4 a 0 (em 1988-89).

É válido dizer que a Samp conseguiu bons resultados também no Calcio: 4º (1987-88), 5º (1988-89 e 1989-90).

Parte pelo todo

O futebol não é justo. Nunca foi e nunca será. Mas Boskov fazia um trabalho sensacional na Samp e a base da equipe era praticamente a mesma. Mas o tempo deu uma ajudada.

Datava-se o ano de 1990. O favorito ao título nacional daquele ano era o Napoli, atual campeão e que ainda contava com Maradona no seu elenco. Também não podia deixar de fora a Inter de Matthäus e Aldo Serena, e o Milan de Galli, Baresi e Van Basten.

Roberto Mancini e Gianluca Vialli: parceria correta

E lá estava a Samp no lugar certo, na hora certa e com o artilheiro Gianluca Vialli, marcador de 19 dos 57 gols da equipe campeã de 1990-91.

Quem ganha o campeonato tem o direito de participar a próxima edição da Champions League. O Rosenborg foi a primeira equipe a dar adeus a competição europeia após o placar agregado em 7 a 1 para a Sampdoria, que já havia comprado o brasileiro Paulo Silas. O outro brazuca Toninho Cerezo ajudou a eliminar os húngaros do Honvéd.

Na fase de grupos, os blucerchiati caíram juntamente com Red Star, Anderlecht e Panathinaikos. Primeiro lugar com vaga na decisão contra o Barcelona. No estádio Wembley, na Inglaterra, o time treinado por Johan Cruijff se deu bem. E só na prorrogação. Com uma falta cobrada pelo holandês Ronald Koeman.

Sérvio – Mantovani = sueco

O título perdido da Champions League foi a gota d’água para Vujadin Boskov. Seu sucessor foi o sueco Sven-Göran Eriksson. Ele repetiu o sucesso conquistado na Roma: apenas um título. Ainda que na capital do lado vermelho ele passou apenas três anos de sua vida. Em Gênova foram cinco.

E Paolo Mantovani morreu em outubro daquele ano. Seu filho Enrico assumiu o posto de mandatário da Sampdoria.

Na temporada 1993-94, o Ancona não foi páreo para um Attilio Lombardo inspirado. Os Dorici seguraram um empate sem gols no Stadio del Conero, mas foram goleados por 6 a 1 no jogo de volta com um show do centromédio italiano.

Mas nem David Platt, agora como técnico, e Luciano Spalletti salvaram a Samp do rebaixamento em 1999. E por um ponto.

Experiência

Time na Serie B. É necessário fazer o que? Trazer um treinador com experiência no retorno à elite. E uma volta recente. Foi o que fez Walter Novellino, contratado em 2002 pela Sampdoria. Dois anos antes ele havia subido o Napoli e repetiu o feito com o Piacenza na temporada anterior.

Com apenas cinco derrotas em 38 jogos, os blucerchiati foram campeões da segunda divisão e subiu juntamente com Siena, Lecce e Ancona.

Coppa e Europa?

Walter Mazzari, sucessor de Novellino, levou a Sampdoria a decisão de 2009 da Coppa Italia. A campanha no Calcio foi pífia: 13ª posição. Já com Pazzini e Cassano no comando de ataque, a equipe de Gênova impôs sua posição de favorita ao título diante da Lazio. Mas o título foi para Roma, nos pênaltis.

Por consenso mútuo, Mazzari deixou o cargo em junho de 2009 (assumiu o Napoli em outubro). Luigi Delneri, que estava na Atalanta, foi contratado em seu lugar. 19 vitórias em 38 jogos, 78,9% de aproveitamento jogando em casa e barrando a campeã Inter nos dois turnos foi necessário para a conquista da quarta vaga para a Champions League.

Chegou a hora do Baciccia voar?

Chivu e Samuel comemoram; Bojan leva as mãos ao rosto e chora

Suado, sofrido, mas perfeito. Confesso que não acreditava na Internazionale nesta Champions League. Achava que não conseguiria passar do Chelsea após uma vitória de 2 x 1 em Milão. Passou.

E também eliminou o supertime do franco favorito Barcelona no Camp Nou.

O jornalista Mario Sconcerti, do Corriere della Sera, aponta que a classificação é, antes de tudo, mérito de José Mourinho: “O Barcelona é previsível como todos os gênios, Michelangelo pinta como Michelangelo, Picasso como Picasso. Mourinho respeitou o futebol.”

Dizer que Mourinho está por trás de tudo isso seria apenas uma coisa a mais para felicitar os nerazzurri. Em 390 partidas, o português perdeu apenas 10 jogos com mais de dois gols de diferença.

O time que perdeu para o Barça por 1 x 0 na Espanha foi guerreiro. E mostrou como é o futebol italiano, colocando a prova sua capacidade de defender por quase 90 minutos ininterruptamente.

Thiago Motta, que havia, juntamente com Cambiasso, anulado Messi no jogo de ida, foi expulso no primeiro tempo de jogo. Expulsão que fora rigorosa. Entretanto, nada mudou. Cambiasso continuou não dando espaço para seu conterrâneo jogar. Eto’o era quase um lateral-esquerdo. Milito, no segundo tempo, virou zagueiro pela direita. Dizia o jornal Gazzetta dello Sport: “A equipe se classificou graças à força de uma extraordinária defesa, mas o mérito é de toda a equipe, que demonstrou até que ponto era importante o sacrifício de cada um, começando pelos atacantes”.

O Barcelona reclamou do lance que gerou o segundo gol – o que seria da classificação. Nele, o árbitro belga Frank De Bleeckere apontou que a Touré havia tocado com a mão na bola antes de Bojan chutar no ângulo de Júlio César. Lance totalmente interpretativo. Ao meu ver, não houve falta.

Mas não dá para responsabilizar a arbitragem de um jogo que os catalães tiveram 75% da posse de bola – foram 44 min e 42′ com a bola nos pés contra 14 min e 14” dos italianos.

O Barça chutou oito vezes ao gol. Quatro dessas atingiram a meta de Julio César. Apenas uma dela entrou. Isso porque Xavi também não conseguiu jogar. Nem Pedro. Nem Keita. Nem Ibrahimovic, que fora inútil em mais uma UCL – assim como fora com a Juventus e a Inter.

A Inter provou que a defesa ainda supera o ataque. Foi assim com o Real Madrid galáctico de Florentino Pérez em 2003, com a Holanda do “Futebol Total” em 1974, com o Brasil de 1982.

Florentino, que foi alvo da imprensa espanhola quando comprou aquela enxurrada de jogadores extraordinários no início do século XXI por fazer um time tão ofensivo, na quarta-feira, deve ter se sentido revigorado. Joan Laporta, por outro lado, coça a cabeça. O Real Madrid era um time de “Zidanes e Pavones”. O Barça é a equipe de “Messi, Xavi e outros”. Não tem Pavón nem Raúl Bravo e muito menos Miñambres, mas sofre com uma confiança extrema daquela vista em 1974 na Laranja Mecânica.

Desde 1972 fora de uma disputa pelo título do campeonato europeu, Big Mou deve estar pensando: “Que venham os alemães”. O lusitano pode entrar para a história nerazzuri – a Inter também está na luta pelos títulos da Coppa Italia e do pentacampeonato do Calcio - e ter seu nome ao lado de Helenio Herrera, técnico bicampeão europeu com a Inter nos anos 60.

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Milito comemora com Maicon o gol da vitória memorável da Inter contra o Barça

Passaram-se dois dias da vitória da Inter sobre o Barcelona no Giuseppe Meazza. Uma vitória maiúscula.

Pedro colocou o time espanhol na frente do marcador, mas Sneijder, Maicon e Milito decretaram a derrota do Barcelona.

A queda prematura do Barcelona levou-me a questionar o time de Mourinho. O técnico, que foi a melhor contratação da Era Moratti, pode ter vacilado no Calcio, mas aprendeu a jogar na Champions League.

Na fase de grupos, os nerazzurri foram uma equipe mediana. Após a vitória de 1 a 0 no jogo de volta sobre o Chelsea, no Stamford Bridge, foi visto outra Inter. Uma totalmente modificada. Dentro e fora de campo.

Wesley Sneijder tomou conta do meio-campo interista e parou Xavi. Thiago Motta (e Cambiasso) pôs fim ao baile de Lionel Messi na UCL. Pandev e Eto’o aprenderam novas funções – defensivas.

A Inter, de hoje, sabe atacar muito bem e defender melhor ainda.

Ao entrevistar algumas pessoas, descobri que muitas acreditam que a Inter teve sorte no Giuseppe Meazza. Eu não concordo. Um time que perdeu apenas uma partida das 18 na Itália para times espanhóis tem muita moral. Outras acreditam no favorecimento da arbitragem.

O jornal espanhol-catalão “Sport” tinha na manchete: “Roubo à Italiana: Inter e arbitragem derrotam o Barça”. O “Mundo Desportivo” escreveu em letras garrafais: “Atraco!” (assalto em espanhol).

Os catalães têm do que reclamar. Diego Milito estava impedido no terceiro gol. Olegário Benquerença não marcou um pênalti de Sneijder em Daniel Alves. Um pênalti bem discutível.

O que eles não podem reclamar é que a Inter jogou melhor que o Barcelona. E a vantagem conquistada na Itália foi incrível. Uma vitória, enfim, para toda a Bota.

Mas…

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O “suicídio público” de Super Mario. Ele pode estar com os dias contados na Inter

Tinham que estragar a festa da Inter. Seu nome: Mario Balotelli. Aquele mesmo que já tinha sido afastado do time por discutir com José Mourinho. Aquele mesmo que apareceu em um programa de TV com a camisa do Milan.

O atacante substituiu Milito, que deu a vida argentina pelo time e saiu com cãimbras, e não correspondeu. Não segurou a bola na frente e fez corpo mole. Os tifosi começaram a vaiar e Balotelli perdeu a paciência. No término da partida, ele atirou sua camisa no gramado e fez gestos obscenos para a torcida.

Zlatan Ibrahimovic, ex-atacante da Inter agora defendendo as cores do Barcelona, revelou que Marco Materazzi agrediu Balotelli no túnel dos vestiários.

- No fim do jogo, em vez de celebrar a vitória com o resto dos companheiros, ele correu atrás de Balotelli pelo túnel e o agrediu como eu nunca vi em minha carreira.

O sueco, que sofreu nas mãos, pés, joelhos e tudo o que viesse na encomenda de Materazzi quando jogava pela Juventus, provocou o italiano.

- Se Materazzi me tivesse atacado daquela forma, eu teria respondido num segundo! Materazzi causou todo o tipo de problemas e nós, do Barcelona, estamos estupefatos. Um jogador deve ter orgulho em vencer e não perseguir um jovem de 19 anos para o repreender.

Fala Leonardo Bertozzi, editor do site Trivela: “Balotelli é talentoso acima da média dos jogadores italianos, mas é um completo idiota.”

A vida segue para ambos os jogadores. Balotelli deve receber uma alta multa, mas permanece no time até o fim da temporada pois Moratti quer. A premissa do Robinho italiano já foi dada.

Fala Nelson Oliveira, do blog Quatrotratti: “Parece mais do que claro que não há mais clima para o jogador no clube, embora Moratti insista em blindá-lo.”

No dia 31 de janeiro de 2008, a UEFA informou que o estádio da final da Champions League de 2010 seria o Santiago Bernabéu.

O Real Madrid, dono do estádio, foi eliminado nas oitavas de final para o Lyon. O Barcelona avançou e avançou; e está na disputa da semifinal no campeonato diante dos franceses. Com um elenco muito bem montado pelo técnico Josep Guardiola, a equipe catalã é uma das favoritas ao título da competição – ainda mais sendo a atual campeã da Liga.

Para disputar o troféu, primeiramente, é necessário chegar à final. E a final será no estádio do grande rival espanhol.

A pergunta: seria um “desfavorecimento” decidir a Champions League na casa do vizinho? Não.

Em 54 edições do torneio, já aconteceram 4 confrontos em estádios rivais. Vamos relembrar:

Temporada 1955/56 – Real Madrid 4 x 3 Stade de Reims – em 13 de junho de 1956 no Parc des Princes, em Paris

Hector Rial (de olhos cobertos com a mão) foi o homem do jogo na final contra o Reims

E logo foi ocorrido na primeira final da Champions League. O Stade de Reims, clube que hoje atua na 3ª divisão francesa, foi o campeão nacional de 1955. Batalhava com o Lille, Sochaux, Bordeaux e Toulouse pela supremacia na França.

O time viajou cerca de 140 km para enfrentar o Real Madrid no estádio do Paris Saint-Germain, que só elevaria seu nome nacionalmente em 1959 com o nome de FC Paris e, depois de um hiatus, nos anos 80 já com a alcunha de PSG.

No Parc des Princes, o Reims equiparou seu futebol ao do bicampeão espanhol. O meia Glowacki começou a jogada que resultou em gol de Leblond, aos 6 minutos do primeiro tempo. Hidalgo e Glowacki davam trabalho a retaguarda do Real Madrid e, quatro minutos mais tarde, René Bliard achou Templin na área. A estrela do time dividiu com o goleiro Alonso e conseguiu marcar o gol.

O Real Madrid não se abateu e foi ao ataque, com Gento. A bola, porém, passou longe da meta de Jacquet. Mas quando foi a vez do capitão Muñoz carregar a bola pelo meio e passar para di Stéfano, que entrou como um foguete dentro da área francesa, os avôs galácticos diminuíram. E igualou, após cobrança de escanteio, com o atacante  Héctor Rial.

No segundo tempo, o Reims empatou com Hidalgo, que escorou o cruzamento da direita, jogando a bola no canto direito de Juan Alonso.

O zagueiro Marquitos empatou novamente o jogo com uma ajudinha da defesa francesa. Rial, faltando 11 minutos para o término da partida, fez o quarto gol do Real Madrid, o gol do primeiro título europeu do clube merengue.

Temporada 1971/72 Ajax 2 x 0 Internazionale – em 31 de maio de 1972 no Stadion Feijenoord, em Roterdã.


Johan Cruyff, o gênio holandês, botou os italianos para dançar em Roterdã

O técnico Rinus Michels deixou um legado para o romeno Stefan Kovács, seu sucessor. O holandês assumiu o comando do Ajax em 1965, permancendo no cargo até 1971 (quando se mudou para Barcelona), e foi tetracampeão nacional e bicampeão da Copa da Holanda. Kovács tinha uma máquina poderosíssima em suas mãos e venceu a Champions League de 1971 sobre o Panathinaikos.

Um ano depois, o romeno levaria o todo-poderoso Ajax à outra final do campeonato europeu. Mas dessa vez seria diferente. Eram praticamente dois adversários: a Internazionale e o “De Kuip”, estádio do Feyenoord, time que sempre estava disputando títulos nacionais e foi campeão europeu em 1970.

Com um quase “Futebol Total”, o Ajax encurralou a Internazionale no casa do rival holandês. Mas o primeiro gol só saiu no segundo tempo de partida, aos 2 minutos. Haan avançou com a bola dominada e tentou virar o jogo para a direita. Frustalupi domina a bola com a perna esquerda, mas dá dois passos e perde para Swart, que estava na marcação. O holandês abriu com o lateral-ponta Suurbier, que cruzou. O zagueiro Bellugi se confunde com o goleiro Bordon, os dois batem cabeça e Cruyff aproveita para tocar para o gol vazio.

O atacante nerazzurri Sandro Mazzola, que já tinha marcado dois gols no torneio, foi sucinto: “Cruyff era extraordinário”.

O jogo, segundo Johan Cryuff:

- Estávamos confiantes. A Inter era muito forte e era um grande time composto por grandes jogadores, como o Mazzola. Mas tínhamos que confiar que nós éramos os melhores.

O zagueiro Facchetti suou para marcar o atacante-meio-campista. Ele e seu companheiro Bellugi, que erraria no segundo gol dos Godenzonen. Boninsegna fez falta boba na lateral direita. O capitão Kaizer cobrou e Cryuff, aproveitando o vacilo de Bellugi, que errou o tempo da bola, decretou o placar final da partida em Roterdã.

Temporada 1995/96Juventus 1 (4) x (2) 1 Ajax  – em 22 de maio de 1996, no Olímpico de Roma.


Angelo Peruzzi pegou dois pênaltis e coloriu o Olímpico, da Roma, de preto e branco

A atual campeã italiana com Marcello Lippi teria a fênix Ajax na final em território “inimigo”. Sob comando de Louis Van Gaal, o Ajax tinha sido campeão europeu na temporada anterior e voltava a figurar entre os grandes do continente desde os tempos de Cruyff.

Dessa vez não existia a magia de Neeskens, Cryuff, Haan e Kóvacs, mas a juventude de Van der Sar, Kanu e Davids misturada a experiência de Danny Blind e Litmanen. Do outro lado do gramado, a Juventus não tão italiana com seu eficiente trio ofensivo: Del Piero, Ravanelli e o capitão Gianluca Vialli.

Com a bola nos pés, a Velha Senhora abria o velocista Del Piero pela esquerda e deixava Vialli dentro da área, com Ravanelli pela direita. A intensa movimentação ofensiva quase gerou o primeiro tento. Mariano Torricelli saiu da lateral-direita, carregando a bola pelo meio-campo. Ele arriscou do meio da rua e Van der Sar defendeu. Silooy tentou tirar a pelota da área, mas Ravanelli chegou antes e chutou para outra sensacional defesa do goleiro holandês.

Aos 12 minutos do primeiro tempo, Frank de Boer vacilou e lá estava Ravanelli com seus cabelos brancos. Ele aproveitou para tocar, quase sem ângulo e sem Van der Sar debaixo das traves, para o gol.

Aí a campeã resolveu acordar. Após escanteio cobrado, Peruzzi sai do gol para socar a bola. Ela sobra nos pés de Davids, que arrisca de fora da área. A pelota desvia em Nwankwo Kanu e o goleiro da Juventus cai no canto direito, praticando uma defesa à la Gordon Banks.

Enfim, o gol. Frank de Boer cobra falta pela direita, Peruzzi não segura e o finlandês Jari Litmanen, de dentro da pequena área, chuta forte para empatar o jogo.

E os pênaltis. Van der Sar acertou todos os cantos que as cobranças italianas foram executadas: Ferrara, Pessotto e Jugovic em sua direita, e Padovano em sua esquerda. Angelo Peruzzi pulou do lado certo em duas oportunidades e fez duas defesas. As defesas do título da Juventus.

Faltou sorte para o jovem goleiro holandês, à época. Mas, primeiramente, o Ajax pecou na vontade de converter os pênaltis.

Temporada 1996/97Borussia Dortmund 3 x 1 Juventus – em 28 de maio de 1997 no Olympiastadion, em Munique.


À direita, Paulo Sousa comemora seu segundo título da Champions League. Agora, com a vestimenta do Dortumund

Um ano se passara após o título no Olímpico de Roma sobre o surpreendente Ajax. E tudo mudou para a Juventus. Ou quase tudo.

O time de Turim foi campeão do Calcio, mas já sem o time que o consagrou na temporada passada. Gianluca Vialli trocou Turim por Londres e assinou com o Chelsea, Ravanelli foi para o Middlesbrough, Vierchowod se mudou para Milão e Paulo Sousa foi contratado pelo Borussia Dortmund. Um português de sorte. Bicampeão consecutivo da Europa.

O Borussia conseguiu sua classificação para a Champions após vencer a Bundesliga de 1995/96 sobre o poderoso Bayern de Munique de Lothar Matthäus, Sforza, Papin e Klinsmann.

O técnico Ottmar Hitzfeld, que anos depois entraria no Olympiastadion todo final de semana para comandar o Bayern de Munique, nem precisou do artilheiro do time no campeonato alemão, o meia Michael Zorc, entre os titulares na finalíssima.

Escalado com um líbero e dois alas, o Borussia, primeiramente, tentava frear aquele ataque juventino formado pelo italiano Vieri e pelo croata Alen Boksic. Lambert e Paulo Sousa revezariam na marcação do talentosíssimo francês Zidane, que acertara sua transferência para a Juventus naquela temporada.

O atacante Karl-Heinz Riedle marcou dois logo em sequência: um após o cruzamento do escocês Lambert e o outro em uma forte cabeçada após cobrança de escanteio. Ainda no primeiro tempo, a história do jogo poderia ter mudado caso a bola de Zidane tivesse entrado ao invés de bater na trave direita do gol defendido por Stefan Klos. Ou se o árbitro húngaro Sándor Puhl não tivesse marcado falta de Vieri – a bola bateu no braço do atacante – no lance que resultaria em gol da Juventus.

Alessandro Del Piero entrou no início do segundo tempo para colocar fogo na partida. Ele viu Vieri bater da entrada da área para a bola explodir no travessão, após desvio do goleiro Klos. Pouco tempo depois, Boksic faz tabela e invade a área. Stefan Reuter não consegue pará-lo e o croata faz o cruzamento para Del Piero diminuir o marcador, de letra.

Aí Hitzfeld contou com a sorte de um campeão. Ele sacou o apagado atacante suíço Chapuisat para a entrada de Lars Ricken, meio-campista. Um minuto depois de pisar no gramado, Paulo Sousa recuperou a bola e deu um lindo passe para a corrida do alemão. Ele viu Peruzzi adiantado e o encobriu.

Foi neste dia que o Olympiastadion vermelho-e-branco teve uma festa amarela e preta.

Após a retrospectiva temos, em suma, três campeões nos estádios de seus rivais e apenas a derrota do Reims. O Barcelona, se contar apenas esse aspecto, coloca uma mão na taça que os clubes mais desejam na Europa.

A Fiorentina fracassou ante ao Bayern München de pé. O Milan caiu de quatro.

O caminho rumo às quartas-de-final do Manchester United começou a ser escrito no San Siro, após a vitória por 3 a 2. Mas a goleada épica por 4 a 0, no Old Trafford, pegou muitos de surpresa.

Wayne Rooney, que foi o destaque dos diabos vermelhos na partida de ida, deitou e rolou na defesa rossonera. De novo. Porém, dessa vez foi um pouco diferente. Shrek foi criticado pelo técnico Alex Ferguson por participar da vitória da Inglaterra sobre o Egito, em amistoso disputado na data FIFA, e ter agravado sua lesão.

Rooney jogou no sacrifício e marcou dois gols. Imaginem só se estivesse 100%… Park, o sul-coreano mais famoso do planeta, e Fletcher, o meio-campista sortudo, fecharam a goleada.

O 4 a 0, contudo, foi pouco. O Milan, por sorte, não voltou para a Itália com a cabeça ainda mais baixa, se é que isso é possível.

Leonardo não teve, em momento algum, o controle da partida amplamente dominada pelos ingleses. Borriello e Huntelaar não foram feitos para jogarem juntos no ataque.

Os milaneses sofrem sem a presença de Alexandre Pato pela direita e David Beckham entre os titulares. Aliás, todos os torcedores presentes no Teatro aplaudiram quando Becks pisou no palco verde, fato que o emocionou bastante.

Com a estupenda reação que tivera no Calcio, alguns achavam que o Milan, juntamente com a Roma, poderia tirar o scudetto das mãos da Inter. Doce ilusão. Os elencos rossonero e giallorossi são pífios comparado ao nerazzurri.

O que resta aos milaneses e a uma grande parte da imprensa é se conscientizar de que Ronaldinho não faz nada sozinho. No Barcelona ele tinha Deco, Xavi, Giuly e Kluivert. Agora, ele está cercado de Abates.

APLAUSOS:
Manchester United - Wayne Rooney: jogou no sacrifício e marcou dois gols.
Milan –  Gianluca Zambrotta, Gennaro Gattuso e Giuseppe Favali: permaneceram no banco de reservas até o final da partida.

VAIAS:
Manchester United Patrice Evra: apoiou menos do que deveria, mas foi bem na marcação do lado direito do ataque do Milan (na verdade, que ataque?)
Milan –  o resto do time de Milão: preciso comentar?

Foto: EPA

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