
Festa blucerchiata após a vitória de 1 a 0 sobre o Napoli e a conquista da vaga
A Sampdoria foi uma das pedras no sapato da campeã Inter (veja no Quattro Tratti). A Samp, depois de quase colocar a mão na taça europeia, foi rebaixada, mas voltou a Serie A para integrar o pelotão dos clubes de ponta do Calcio nesta temporada. Vamos rever a história da Samp sob comando vitorioso de Vujadin Boskov, os cinco anos de Sven-Göran Eriksson em Gênova, o fracasso de David Platt e Luciano Spalletti, a campanha da Serie B com Walter Novellino e a heróica classificação ao mais importante torneio europeu com Luigi Delneri.
De cabeça baixa
As coisas não iam nada bem em 1977. Sob comando de Eugenio Bersellini, que sucedeu as fracassadas temporadas dos técnicos Giulio Corsini e Guido Vincenzi, os blucerchiati foram rebaixados à Serie B. Com 24 pontos em 30 jogos, a Samp desceu de divisão juntamente com o Catanzaro e o Cesena. Para piorar a situação, seu arquirrival Genoa permaneceu na elite. Os tifosi azuis de Gênova sentiam saudades do matador Giuseppe Baldini – 53 gols pela camisa azul entre 1946 e 1950, que há muito já tinha parado de jogar.

Mantovani foi o principal responsável do retorno da Samp à elite
1979. Ano que a Sampdoria foi adquirida por Paolo Mantovani, um burguês do petróleo. Ele queria que o time genovês voasse alto e, para isso, fez sua primeira grande contratação em 1981.
A volta à elite
Nascido em San Miniato, uma província na Toscana, Renzo Ulivieri assumiu a Sampdoria após fracassar no Perugia e mandá-lo para a Serie B na temporada anterior. O italiano montou um excelente esquadrão com os blucerchiati, teve a defesa menos vazada do campeonato – 25 gols – e voltou à elite após acabar o campeonato na terceira posição.
Em 1982, Mantovani manteve Ulivieri que, a partir de então, contaria não apenas com o goleiro Paolo Conti, mas também como o inglês Trevor Francis, ex-Manchester City, e do jovem atacante comprado junto ao Bologna Roberto Mancini. Um sétimo lugar logo no primeiro ano de Serie A foi de bom grado. E por um ponto o Genoa não foi rebaixado…
Ano vem, ano vai; jogadores chegam, jogadores vão. A Sampdoria foi ganhando força com as contratações de Pietro Vierchowod, ex-beque da Roma, Ivano Bordon, ex-goleiro da Inter, e de Gianluca Vialli, promessa que começou a vingar na Cremonese.
Por outro lado, Renzo deixou o clube para assinar com o Cagliari. Veio Eugenio Bersellini, do Torino, para seu lugar. Apenas um 11º lugar no Calcio pois as atenções da Samp eram na Coppa Italia.
Vicenza, Torino e Como ficaram para trás. Na final – disputada em dois jogos – tinha a Roma de Toninho Cerezo, Carlo Ancelotti, Bruno Conti e o matador polaco Boniek.
Em 6 de junho, Luigi Ferrari lotado para a primeira partida. Samp ganhou por 2 a 1, com gols de Roberto Mancini e Galia. Tovalieri descontou. No Olímpico de Roma, Cerezo acabou com a partida e marcou um dos gols da vitória por 2 a 0. Sonho acabado? De jeito nenhum.
Siamo noi!

Fora das quatro linhas, Boskov dominou a Itália
Mudança de técnico: sai Bersellini, entra Boskov. Vujadin Boskov. O sérvio, que jogou no clube blucerchiati na temporada 1961-62, voltou a Gênova após boa passagem por Real Madrid (no começo da década de 80) e Ascoli, último time antes de assinar pela Samp.
1986 foi o ano do double do Napoli. O sensacional Diego Maradona ajudou os partenopei a conquistarem o Scudetto e a Coppa Italia. Mas lá estava a Sampdoria conquistando uma vaga na Copa da Uefa da temporada seguinte. À época, Paolo Mantovani conseguiu contratar o futuro grande goleiro Gianluca Pagliuca, o alemão Briegel e Toninho Cerezo.
Apesar de não ter obtido sucesso na Europa em 1987, as duas temporadas seguintes foram de conquistas domésticas: a Sampdoria conseguiu o bicampeonato consecutivo da Coppa Italia derrotando o Torino (em 1987-88) e o Napoli do gênio argentino após vencer por 4 a 0 (em 1988-89).
É válido dizer que a Samp conseguiu bons resultados também no Calcio: 4º (1987-88), 5º (1988-89 e 1989-90).
Parte pelo todo
O futebol não é justo. Nunca foi e nunca será. Mas Boskov fazia um trabalho sensacional na Samp e a base da equipe era praticamente a mesma. Mas o tempo deu uma ajudada.
Datava-se o ano de 1990. O favorito ao título nacional daquele ano era o Napoli, atual campeão e que ainda contava com Maradona no seu elenco. Também não podia deixar de fora a Inter de Matthäus e Aldo Serena, e o Milan de Galli, Baresi e Van Basten.

Roberto Mancini e Gianluca Vialli: parceria correta
E lá estava a Samp no lugar certo, na hora certa e com o artilheiro Gianluca Vialli, marcador de 19 dos 57 gols da equipe campeã de 1990-91.
Quem ganha o campeonato tem o direito de participar a próxima edição da Champions League. O Rosenborg foi a primeira equipe a dar adeus a competição europeia após o placar agregado em 7 a 1 para a Sampdoria, que já havia comprado o brasileiro Paulo Silas. O outro brazuca Toninho Cerezo ajudou a eliminar os húngaros do Honvéd.
Na fase de grupos, os blucerchiati caíram juntamente com Red Star, Anderlecht e Panathinaikos. Primeiro lugar com vaga na decisão contra o Barcelona. No estádio Wembley, na Inglaterra, o time treinado por Johan Cruijff se deu bem. E só na prorrogação. Com uma falta cobrada pelo holandês Ronald Koeman.
Sérvio – Mantovani = sueco
O título perdido da Champions League foi a gota d’água para Vujadin Boskov. Seu sucessor foi o sueco Sven-Göran Eriksson. Ele repetiu o sucesso conquistado na Roma: apenas um título. Ainda que na capital do lado vermelho ele passou apenas três anos de sua vida. Em Gênova foram cinco.
E Paolo Mantovani morreu em outubro daquele ano. Seu filho Enrico assumiu o posto de mandatário da Sampdoria.
Na temporada 1993-94, o Ancona não foi páreo para um Attilio Lombardo inspirado. Os Dorici seguraram um empate sem gols no Stadio del Conero, mas foram goleados por 6 a 1 no jogo de volta com um show do centromédio italiano.
Mas nem David Platt, agora como técnico, e Luciano Spalletti salvaram a Samp do rebaixamento em 1999. E por um ponto.
Experiência
Time na Serie B. É necessário fazer o que? Trazer um treinador com experiência no retorno à elite. E uma volta recente. Foi o que fez Walter Novellino, contratado em 2002 pela Sampdoria. Dois anos antes ele havia subido o Napoli e repetiu o feito com o Piacenza na temporada anterior.
Com apenas cinco derrotas em 38 jogos, os blucerchiati foram campeões da segunda divisão e subiu juntamente com Siena, Lecce e Ancona.
Coppa e Europa?
Walter Mazzari, sucessor de Novellino, levou a Sampdoria a decisão de 2009 da Coppa Italia. A campanha no Calcio foi pífia: 13ª posição. Já com Pazzini e Cassano no comando de ataque, a equipe de Gênova impôs sua posição de favorita ao título diante da Lazio. Mas o título foi para Roma, nos pênaltis.
Por consenso mútuo, Mazzari deixou o cargo em junho de 2009 (assumiu o Napoli em outubro). Luigi Delneri, que estava na Atalanta, foi contratado em seu lugar. 19 vitórias em 38 jogos, 78,9% de aproveitamento jogando em casa e barrando a campeã Inter nos dois turnos foi necessário para a conquista da quarta vaga para a Champions League.
Chegou a hora do Baciccia voar?
