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Na última temporada, só deu Inter. Quem terá força para domar a fera?

Os grupos da Liga dos Campeões 2010-11 foram sorteados nesta quinta, em Mônaco. Milan e Real Madrid editam jogos dessa fase da última temporada, Roma se dá bem e Inter é o time a ser perseguido.

Os jogos começam no dia 14 de setembro. Confira os grupos:

Grupo A: Inter, Werder Bremen, Tottenham, Twente

INTER

A campeã perdeu o atual melhor técnico do mundo, José Mourinho. A chegada de Rafael Benítez, porém, não torna a equipe menos fraca. Massimo Moratti segurou a base da equipe, novamente, e o treinador espanhol já conquistou a Supercoppa – uma excelente virada em cima da Roma, por 3 a 1.

A principal contratação nerazzurri é Philippe Coutinho, de 18 anos (comprado pela Inter aos 16). Nos jogos de pré-temporada nos Estados Unidos, o brasileiro foi um dos destaques da equipe na vitória por 3 a 0 contra o Manchester City – com direito a golaço do canhoto Biraghi, de 17 anos.

A meia ofensiva permanece com Pandev, Sneijder e Eto’o, mas Benitez inverteu os lados do camaronês e o macedônio. Milito sempre à frente do trio. O reserva imediato da “ponta” Mario Balotelli foi vendido ao time inglês por 30 milhões de euros – dinheiro que ainda pode ser investido na contratação de Javier Mascherano, sonho de Benitez.

O hexacampeonato italiano pode ser apenas questão de tempo antes de ter mais um troféu na Lombardia. Apesar da dificuldade da competição continental, a Inter é a equipe a ser batida.

Grupo B: Lyon, Benfica, Schalke 04, Hapoel Tel Aviv

Grupo C: Manchester United, Valencia, Rangers, Bursaspor

Grupo D: Barcelona, Panathinaikos, Copenhagen, Rubin Kazan

Grupo E: Bayern de Munique, Roma, Basel, Cluj

ROMA

O time mais sortudo da Itália. Enfrentará o poderoso vice-campeão europeu Bayern de Munique, mas escapou dos cabeças-de-chave Real Madrid e Manchester United, como bem lembrou Braitner Moreira.

Os giallorossi reeditam o confronto da fase de grupos da Liga Europa da época passada. Naquela oportunidade, vitórias dos mandantes: 2 a 0 na Suíça e 2 a 1 em Roma. Os romenos do Cluj protagonizaram uma vitória histórica no Olímpico, na Liga dos Campeões 2008-09, por 2 a 1 – com uma excelente exibição do meia argentino Emmanuel Culio.

À venda, a equipe romana trouxe dois bons free agents: o campeão brasileiro Adriano, que tem chances de brilhar no futebol italiano novamente – isso, claro, se voltar a forma física que um dia teve e não ter (ou ter menos) problemas extra-campo – e Fábio Simplício. Claudio Ranieri também terá que superar a perda de Nicolás Burdisso. Mexès não joga mais em alto nível e preocupa. Enquanto a indefinição do caso Burdisso segue, pois a Juventus também fez uma proposta a Inter, o irmão do zagueiro nerazzurri, Guillermo Burdisso, foi contratado junto ao Rosário Central.

O sucesso para uma eventual vice-liderança ainda depende da frequência de lesões de Francesco Totti. Se mantiver a forma dos últimos meses da última temporada, Vucinic tem tudo para fazer uma grande época.

Grupo F: Chelsea, Olympique de Marselha, Spartak Moscou, Zilina

Grupo G: Milan, Real Madrid, Ajax, Auxèrre

MILAN

O não-rejuvenescido Milan ainda é uma incógnita tanto na Serie A quanto na Liga dos Campeões. A diretoria rossonera aposta na qualidade de Massimiliano Allegri para botar o fogo necessário no Milan. Do Genoa, chegaram Papastathopoulos, Amelia e Prince-Boateng, que foi comprado pela equipe de Gênova junto ao Portsmouth e já repassado por empréstimo ao time da Lombardia.

Por ordem do chefe Berlusconi, Pato e Borriello devem começar a temporada como titulares. Ronaldinho virá de trás, assistindo ambos. O brasileiro, novamente, será “o cara” do Milan. Os jovens Strasser e Merkel, destaques da pré-época, devem sem figurinhas carimbadas no banco de reservas milanista e definitivamente serão bastante utilizados por Allegri.

As contratações de baixo custo revelam que a falta de vontade do presidente. Mas nunca se sabe… Com o indeciso Huntelaar e Pippo Highlander no banco, o Milan pode fechar com Ibrahimovic. A técnica e a força do sueco custaria uma boa quantia aos cofres da equipe, mas daria novo ânimo aos rossoneri. Outro especulado é Robinho, que voltou ao Manchester City, mas não deve ser utilizado por Roberto Mancini.

Longe da forma física ideal e com uma idade avançada, Abbiati, Zambrotta e Gattuso veem suas posições ameaçadas. O Milan liberou o ótimo Storari para a Juventus, mas o regular Amelia briga pela posição no gol; Sokratis tem grandes chances de iniciar as partidas entre os 11 no lugar de Zambrotta e Prince-Boateng tem uma excelente exibição na última Copa do Mundo em seu currículo, o que pode tirar de vez as futuras pretensões do antes indispensável Gattuso.

Grupo H: Arsenal, Shakhtar Donetsk, Braga, Partizan

Em época de Copa do Mundo, o mercado de transferências costuma se mexer pouco. Entretanto, especulação é o que não falta.

Hoje, apenas os times grandes. Ainda nesta semana, os outros times da Serie A.

A Juventus foi o time que mais mexeu para amenizar a turbulência em Turim. Depois de uma péssima temporada, a família Agnelli (do grupo Fiat) voltou para a Vecchia Signora e injetou uma boa quantia para contratações.

Andrea Agnelli buscou Leonardo Bonucci, que fez uma excelente temporada no Bari, para substituir Fabio Cannavaro, que teve seu contrato com a Juve encerrado e acertou com um clube dos Emirados Árabes Unidos – talvez o último de sua carreira. A outra preocupação imediata era um goleiro que pudesse substituir à altura Gianluigi Buffon, que pode perder o primeiro semestre da temporada devido a uma cirurgia de hérnia. O milanista Marco Storari, que fez um bom campeonato pela Sampdoria, foi ao Olímpico.

Motta (à direita), em entrevista coletiva com De Ceglie, chega por empréstimo

Ainda para a defesa, o lateral Marco Motta foi da Udinese para a Juventus por empréstimo. A lateral-direita bianconeri foi uma das posições mais criticadas da última temporada, pois Zebina, Grygera e Cáceres não corresponderam as chances dadas. Os dois primeiros, aliás, jogaram o amistoso contra uma seleção local do Trentino e Grygera até ficou entre os seis marcadores da partida. A Juve quer fechar em definitivo com Cáceres, mas o Barça quer € 11 milhões pelo uruguaio.

Na esquerda, Grosso e De Ceglie foram os que lutaram pela posição de titular no último ano. Irregulares, e sem Molinaro (vendido para o Stuttgart), quatro nomes surgem como possibilidades para o time de Turim:

  • Gael Clichy (Arsenal): o time inglês quer € 12 milhões pelo francês, mais o volante Felipe Melo. O brasileiro já disse que não sai da equipe.
  • Aleksandar Kolarov (Lazio): Claudio Lotito, presidente da Lazio, pediu € 18 milhões para que o Real Madrid comprasse o sérvio. A Juve quer se intrometer com o negócio (também com o Manchester City) e pode envolver na transferência Giovinco e Iaquinta. Kolarov, porém, não convence Del Neri.
  • Dennis Aogo (Hamburgo): a Juve estava perto de fechar com o nigeriano pois o HSV pediu pouco – cerca de € 6 milhões -, mas a Inter, Bayern München e Liverpool juntaram-se ao negócio. O empecilho é que Aogo é o mesmo caso de Kolarov: ataca bem, mas defende mal.
  • Reto Ziegler (Sampdoria): foi a tentativa da última semana. Riccardo Garrone não quer que a Juve sonde Ziegler porque ainda “dói” o roubo do diretor Giuseppe Marotta pela equipe de Turim.

O técnico Luigi Del Neri monta as equipes que comanda no 4-4-2 e, por isso, foram contratados Simone Pepe, da Udinese, e Jorge Martinez, do Catania. Peças que podem se tornar indispensáveis para a Senhora, uma vez que o Olympiakos tenta fechar com Camoranesi, que quer sair. Milos Krasic, do CSKA, ainda é prioridade para o meio-campo.

No ataque, o artilheiro do Wolfsburg, Edin Dzeko, era o nome mais cotado para chegar a Turim. A proposta era de tirar o goleador da Alemanha com a ajuda de Diego, que jogaria nos Lobos, mas o Wolfs quer apenas dinheiro. Outra alternativa era Lukas Podolski. O agente do alemão, porém, afirmou que ele não quer sair do Colônia. Trèzèguet, que fora dado como negociável, pode se encaixar no tipo de jogo de Del Neri por ser forte no jogo aéreo.

A Inter trabalha com apenas um nome que poderia reforçar a equipe nesta temporada. Trata-se do argentino Javier Mascherano, que trabalhou com Rafa Benítez no Liverpool. Maicon ou Balotelli podem sair por até € 30 milhões de euros, seja para o Real Madrid, seja para o Manchester United. Ainda não chegou em uma oferta satisfatória para arrumar as malas de algum dos atletas.

Phillipe Coutinho*, do Vasco, e Biabiany, que estava emprestado ao Parma, foram os únicos jogadores que chegaram ao elenco nerazzurri.

O ano passou e o Milan continua sem dinheiro para investir em jogadores. Silvio Berlusconi não quer continuar colocando seu dinheiro no clube. Por isso, a venda de Ronaldinho – já “liberado” por Adriano Galliani – pode afrouxar um pouco a corda no pescoço rossonero. A saída do dentuço pode gerar uma economia de até € 16 milhões entre salário e valor para rescisão.

Gaúcho já teria um contrato verbal com o Flamengo, após um almoço com a presidente Patrícia Amorim, mas uma saída para a Grécia seria bem-vinda para o clube de Milão. O Olympiakos poderia pagar € 10 milhões pelo R80. O Los Angeles Galaxy também poderia entrar na disputa por Ronaldo, mas, apesar dos salários exorbitantes, não faz altos investimentos em compras.

O veterano Mario Yepes chega do Chievo para ser mais um na zaga milanista, podendo até ser titular devido o físico de Nesta. Já Elia Legati, que estava no Crotone na última temporada, é visto como uma opção ao time titular. Sem Dida e Storari, o empréstimo de Marco Amelia veio a calhar. O ex-goleiro do Genoa foi o segundo da equipe que mais atuou na temporada passada (em 8 jogos, Scarpi foi o titular) e chamou a atenção ao defender dois pênaltis de Ronaldinho.

O técnico Massimiliano Allegri, a princípio, terá que trabalhar ao redor dos três homens de meio-campo: Pirlo, Ambrosini e Seedorf. Além disso, promessas da base milanista poderão ter chances entre os titulares, como Rodney Strasser, de Serra Leoa, que foi recém-promovido e seria o substituto natural de Ambrosini ou Gattuso – isso se o jovem de 20 anos não for para o Crotone juntamente com outro rossonero, o zagueiro Michelangelo Albertazzi, de 18 anos.

Para o ataque, nomes de Luis Fabiano e Podolski foram especulados. O brasileiro deve deixar o Sevilla e até fora sondado na última temporada, mas o empecilho seria a forte concorrência com o Tottenham e o Manchester United. O alemão tem um valor de mercado muito baixo comparado ao seu futebol (€ 12 milhões) e não criaria um buraco muito grande no cofre do Milan. A contratação de Ibrahimovic seria utópica, uma vez que o Barça pede € 45 milhões pelo sueco.

Rosella Sensi permanece na presidência da Roma, por enquanto. Em reunião, na última quinta-feira, o UniCredit, um dos maiores bancos da Europa e credor dos donos do clube, ficou-se decidido que a associação irá à venda e Sensi ficará no comando até a definição.

A Italpetroli, da família Sensi, deve cerca € 325 milhões ao UniCredit. Até que chegue o comprador, o banco tem 51% dos direitos da Roma; 49% são da holding.

Adriano e Simplício: contratações de renome na Itália a custo zero

Segurar o dinheiro significa contratar jogadores a custo zero e com experiência no Calcio, casos de Adriano e Fábio Simplício. O lateral Juan, do Flamengo, que está no fim de seu contrato, pode chegar para ser reserva de Riise.

Com a compra em definitivo de Bogdan Lobont (que defendia o Dínamo Bucareste), o goleiro Doni deve mesmo sair da capital. Para fazer caixa, Julio Baptista, que tem mercado na Europa, é outro que pode fazer as malas.

Os giallorossi, ainda, precisam achar um substituto para o atacante Totti. Assim como Nesta, já não tem mais o físico de outrora. Atacantes como Zarineh (25 anos, estava emprestado ao Paganese) e Della Penna (20 anos, estava emprestado ao Gallipoli) podem ser aproveitados nesta temporada.

*O que será do Coutinho na Itália? Um novo Kerlon, talvez?

Rimane in piedi anche l’ipotesi Dennis Aogo. Il tedesco, dalle origini nigeriane, potrebbe lasciare l’Amburgo e su di lui ci sono numerose squadre. La Juventus sembrava molto vicino a concludere l’affare alcune settimane fa, ma nel frattempo si sono intromesse Inter, Bayern Monaco e Liverpool sul terzino. L’Amburgo chiede poco, non più di 6 o 7 milioni, ma anche per il tedesco vale lo stesso discorso di Kolarov. La sua principale caratteristica sta nel supportare le azioni offensive della sua squadra, ma le sue abilità difensive scarseggiano e non è un ottimo crossatore.

Santiago Bernabéu, Madri, Espanha. No placar, Bayern München 0 x 2 Inter.

O verdadeiro catenaccio armado por José Mourinho. Implacável. Diego Milito marcou dois gols em duas oportunidades de fazê-lo.

Diz Vitor Birner: “(Os italianos) São mestres nisso, assim como no futebol pré-globalizado ninguém tinha disciplina tática e chutes de fora tal qual alemães, nenhuma seleção trocava passes como os argentinos, ou era perigosa na bola aérea como os ingleses, ou tinha capacidade criativa e de improviso brasileira.”

Interessante é que a Inter utilizou apenas um italiano na partida: Marco Materazzi, que entrou nos acréscimos do segundo tempo. Mou conseguiu tirar o melhor de cada jogador para formar o sólido esquema defensivo.


Na decisão, Cambiasso foi um monstro. Sneijder parecia Neeskens, atacando por todos os lados e completando a linha do meio-campo. Milito, mesmo sozinho no ataque, fazia Van Buyten e Demichelis tremer. Os zagueiros do Bayern são ótimos no alto. Mas pelo chão…

Eto’o, que veio à Inter no lugar de Ibrahimovic, não teve o papel de goleador em Milão como teve na Catalunha. Mas mesmo assim foi peça-chave no time. O camaronês era o segundo atacante, o ponta-direita e o meia-direita. Na final, incumbiu de parar Altintop, que atacava Maicon.

Robben, o jogador d’oro da Baviera, tentou, tentou; mas romou. Chivu, substituindo Thiago Motta, suspenso, parecia com medo de marcar do holandês, mas o fez direitinho. E também o fez corretamente com Lahm, o “segundo” ponta-lateral do time alemão.

Um time, mais Diego Milito

Atacante argentino de 30 anos. Matador. Foi contratado junto ao Genoa após grande temporada – marcando 24 gols no Calcio. Milito firmou-se titular, e conseguiu a proeza de marcar nas três finais de 2009-10: Coppa Italia, contra a Roma; última rodada da Serie A, contra o Siena; e a doppietta na Champions League.

Ele, sempre ele

Mão também de Mourinho, que pediu a contratação do atacante. Como foi a de Thiago Motta, Lúcio e, principalmente, do esquecido Wesley Sneijder, encostado no Real Madrid.

A Inter conseguiu voltar ao topo da Europa, fato que não conseguia desde 1965, após o bicampeonato europeu sob comando do argentino Helenio Herrera e presidência de Angelo Moratti, pai de Massimo. E voltou com classe, eliminando os campeões espanhol (Barcelona), inglês (Chelsea) e alemão (Bayern).

O português deixa os nerazzurri com a inédita Tríplice Coroa. Com a verdadeira Tríplice pois o Milan – em três oportunidades – e a Juventus conquistaram a Supercopa Europeia, a Liga dos Campeões e o Mundial Interclubes em uma mesma temporada.

Agora, a galáxia do Real Madrid te espera – e Maicon? E Sneijder? Ciao, Mourinho. Il sogno nerazzurri foi realizado; chorado.

Marco Materazzi comemora mais um título italiano

No domingo, os dois jogos que decidiriam o Calcio foram disputados simultaneamente.

Em Verona, Vucinic e De Rossi motivaram o torcedor da Roma a acreditar no impossível. Até porque o ex-giallorossi Gianluca Curci fechava o gol contra a Inter, no Artemio Franchi.

A partida contra o Chievo foi encerrada no mesmo 2 a 0 do intervalo. Não pode-se dizer o mesmo de Siena. Diego Milito, sempre ele, conseguiu furar a barreira do time da Toscana.

O melhor time venceu o campeonato. De novo. A incompetência dos outros times pode ser culpada, mas não a força da Internazionale.

O presidente Massimo Moratti é um dos – se não o – principal responsável pelo sucesso nerazzurri. Desde 1995 – quando Moratti assumiu o cargo que era de Ernesto Pellegrini -, o time de Milão venceu uma Uefa Cup, três Coppa Italia, três Supercoppa Italiana e é penta do Calcio.

Moratti festeja com o Milito, o seu principal jogador na temporada

A Inter de Milão entrou no seleto grupo de pentacampeões consecutivos do Calcio, que tinha a Juventus (penta entre 1930 e 1935 na diretoria do grande Edoardo Agnelli, fundador da Fiat) e o Torino (nas temporadas 1942-43, 1945-46, 1946-47, 1947-48, 1948-49; e seria mais caso não tivesse ocorrido a catástrofe na Basílica de Superga).

Classificação: Inter 82Roma 80, Milan 70, Sampdoria 67, Palermo 65, Napoli 59, Juventus 55, Parma 52, Genoa 51, Bari 50, Fiorentina 47, Lazio 46, Catania 45, Chievo 44, Udinese 44, Cagliari 44, Bologna 42, Atalanta 35, Siena 31, Livorno 29.

* * *

  • Ainda hoje, post sobre a contratação de Del Neri pela Juventus e a saída do diretor da Sampdoria para Turim;

Nos próximos dias postarei sobre os classificados para a próxima edição da Champions League; os rebaixados e, logicamente, sobre as especulações na Itália.

* * *

Para os que ficaram curiosos – como eu -, essa é a camisa especial que os jogadores da Inter usaram na comemoração do título.

'Il Capitano' evitou o título antecipado da Inter

Por um Totti a Internazionale já não comemorou a conquista do scudetto, hoje (ontem, pois já é meia-noite). A Roma venceu o Cagliari, no Olímpico, por 2 a 1 e continua viva na luta pelo título italiano.

Mas foi sofrido. O Cagliari abdicou o direito de atacar. Entrou em campo para segurar o empate. Uma cobrança de falta quase definiu a partida, pois Lazzari achou o canto do gol de Julio Sérgio.

Blitze giallorossi. Totti não conseguiu estufar a rede enquanto Lupatelli estava no chão. Torcedores romanos desesperados. Mas o trequartista empatou e virou o jogo para a Roma.

O susto, o alívio, e o susto novamente

Cambiasso comemora com Milito o quase-título

No Giuseppe Meazza, a Internazionale recebeu o Chievo Verona, que começou na frente. A zaga nerazzurri vacilou e Thiago Motta marcou contra. Um minuto mais tarde, o invejoso Mantovani também marcou contra a própria baliza, empatando o jogo.

Esteban Cambiasso, Diego Milito – com um golaço – e Mario Balotelli tornaram o jogo sem graça, quando a Inter abriu 4 a 1 aos 7 minutos do segundo tempo. Granoche, que estava sumido na partida, resolveu dar um pouco mais de emoção ao diminuir. Pellissier também fez o seu, mas a equipe milanista segurou o resultado.

A decisão

Na rodada derradeira, a Inter enfrenta o já rebaixado Siena no Artemio Franchi, enquanto a Roma visita o Chievo no Marc’antonio Bentegodi. Para conquistar o quarto título de sua história, os giallorossi torcem, no mínimo, por um Massimo Maccarone inspirado e um empate do rival líder do campeonato, pois a Roma tem vantagem no confronto direto.

No primeiro turno, a Inter venceu por 4 a 3 com gol de Samuel no último minuto da partida.

Classificação: Inter 79, Roma 77, Milan 67, Sampdoria 64, Palermo 62, Napoli 59, Juventus 55, Genoa 51, Parma 49, Fiorentina 47, Bari 47, Udinese 44, Chievo 44, Cagliari 43, Lazio 43, Catania 42, Bologna 41, Atalanta 35, Siena 31, Livorno 29.

O grito de “É campeão!” estava preso na garganta. Finalmente a Inter voltou a conquistar a Coppa Italia. Venceu a Roma por 1 a 0 no Olímpico, com gol de Diego Milito.

Faziam três anos que os nerazzurri não erguiam a taça da Coppa Italia. Em dois dos últimos três anos, o time de Milão perdeu a final para a rival Roma.

A Internazionale, agora sem a chance de “zero tituli”, busca a tríplice coroa. Na História, nenhum time italiano conseguiu essa façanha.

Chivu e Samuel comemoram; Bojan leva as mãos ao rosto e chora

Suado, sofrido, mas perfeito. Confesso que não acreditava na Internazionale nesta Champions League. Achava que não conseguiria passar do Chelsea após uma vitória de 2 x 1 em Milão. Passou.

E também eliminou o supertime do franco favorito Barcelona no Camp Nou.

O jornalista Mario Sconcerti, do Corriere della Sera, aponta que a classificação é, antes de tudo, mérito de José Mourinho: “O Barcelona é previsível como todos os gênios, Michelangelo pinta como Michelangelo, Picasso como Picasso. Mourinho respeitou o futebol.”

Dizer que Mourinho está por trás de tudo isso seria apenas uma coisa a mais para felicitar os nerazzurri. Em 390 partidas, o português perdeu apenas 10 jogos com mais de dois gols de diferença.

O time que perdeu para o Barça por 1 x 0 na Espanha foi guerreiro. E mostrou como é o futebol italiano, colocando a prova sua capacidade de defender por quase 90 minutos ininterruptamente.

Thiago Motta, que havia, juntamente com Cambiasso, anulado Messi no jogo de ida, foi expulso no primeiro tempo de jogo. Expulsão que fora rigorosa. Entretanto, nada mudou. Cambiasso continuou não dando espaço para seu conterrâneo jogar. Eto’o era quase um lateral-esquerdo. Milito, no segundo tempo, virou zagueiro pela direita. Dizia o jornal Gazzetta dello Sport: “A equipe se classificou graças à força de uma extraordinária defesa, mas o mérito é de toda a equipe, que demonstrou até que ponto era importante o sacrifício de cada um, começando pelos atacantes”.

O Barcelona reclamou do lance que gerou o segundo gol – o que seria da classificação. Nele, o árbitro belga Frank De Bleeckere apontou que a Touré havia tocado com a mão na bola antes de Bojan chutar no ângulo de Júlio César. Lance totalmente interpretativo. Ao meu ver, não houve falta.

Mas não dá para responsabilizar a arbitragem de um jogo que os catalães tiveram 75% da posse de bola – foram 44 min e 42′ com a bola nos pés contra 14 min e 14” dos italianos.

O Barça chutou oito vezes ao gol. Quatro dessas atingiram a meta de Julio César. Apenas uma dela entrou. Isso porque Xavi também não conseguiu jogar. Nem Pedro. Nem Keita. Nem Ibrahimovic, que fora inútil em mais uma UCL – assim como fora com a Juventus e a Inter.

A Inter provou que a defesa ainda supera o ataque. Foi assim com o Real Madrid galáctico de Florentino Pérez em 2003, com a Holanda do “Futebol Total” em 1974, com o Brasil de 1982.

Florentino, que foi alvo da imprensa espanhola quando comprou aquela enxurrada de jogadores extraordinários no início do século XXI por fazer um time tão ofensivo, na quarta-feira, deve ter se sentido revigorado. Joan Laporta, por outro lado, coça a cabeça. O Real Madrid era um time de “Zidanes e Pavones”. O Barça é a equipe de “Messi, Xavi e outros”. Não tem Pavón nem Raúl Bravo e muito menos Miñambres, mas sofre com uma confiança extrema daquela vista em 1974 na Laranja Mecânica.

Desde 1972 fora de uma disputa pelo título do campeonato europeu, Big Mou deve estar pensando: “Que venham os alemães”. O lusitano pode entrar para a história nerazzuri – a Inter também está na luta pelos títulos da Coppa Italia e do pentacampeonato do Calcio - e ter seu nome ao lado de Helenio Herrera, técnico bicampeão europeu com a Inter nos anos 60.

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Milito comemora com Maicon o gol da vitória memorável da Inter contra o Barça

Passaram-se dois dias da vitória da Inter sobre o Barcelona no Giuseppe Meazza. Uma vitória maiúscula.

Pedro colocou o time espanhol na frente do marcador, mas Sneijder, Maicon e Milito decretaram a derrota do Barcelona.

A queda prematura do Barcelona levou-me a questionar o time de Mourinho. O técnico, que foi a melhor contratação da Era Moratti, pode ter vacilado no Calcio, mas aprendeu a jogar na Champions League.

Na fase de grupos, os nerazzurri foram uma equipe mediana. Após a vitória de 1 a 0 no jogo de volta sobre o Chelsea, no Stamford Bridge, foi visto outra Inter. Uma totalmente modificada. Dentro e fora de campo.

Wesley Sneijder tomou conta do meio-campo interista e parou Xavi. Thiago Motta (e Cambiasso) pôs fim ao baile de Lionel Messi na UCL. Pandev e Eto’o aprenderam novas funções – defensivas.

A Inter, de hoje, sabe atacar muito bem e defender melhor ainda.

Ao entrevistar algumas pessoas, descobri que muitas acreditam que a Inter teve sorte no Giuseppe Meazza. Eu não concordo. Um time que perdeu apenas uma partida das 18 na Itália para times espanhóis tem muita moral. Outras acreditam no favorecimento da arbitragem.

O jornal espanhol-catalão “Sport” tinha na manchete: “Roubo à Italiana: Inter e arbitragem derrotam o Barça”. O “Mundo Desportivo” escreveu em letras garrafais: “Atraco!” (assalto em espanhol).

Os catalães têm do que reclamar. Diego Milito estava impedido no terceiro gol. Olegário Benquerença não marcou um pênalti de Sneijder em Daniel Alves. Um pênalti bem discutível.

O que eles não podem reclamar é que a Inter jogou melhor que o Barcelona. E a vantagem conquistada na Itália foi incrível. Uma vitória, enfim, para toda a Bota.

Mas…

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O “suicídio público” de Super Mario. Ele pode estar com os dias contados na Inter

Tinham que estragar a festa da Inter. Seu nome: Mario Balotelli. Aquele mesmo que já tinha sido afastado do time por discutir com José Mourinho. Aquele mesmo que apareceu em um programa de TV com a camisa do Milan.

O atacante substituiu Milito, que deu a vida argentina pelo time e saiu com cãimbras, e não correspondeu. Não segurou a bola na frente e fez corpo mole. Os tifosi começaram a vaiar e Balotelli perdeu a paciência. No término da partida, ele atirou sua camisa no gramado e fez gestos obscenos para a torcida.

Zlatan Ibrahimovic, ex-atacante da Inter agora defendendo as cores do Barcelona, revelou que Marco Materazzi agrediu Balotelli no túnel dos vestiários.

- No fim do jogo, em vez de celebrar a vitória com o resto dos companheiros, ele correu atrás de Balotelli pelo túnel e o agrediu como eu nunca vi em minha carreira.

O sueco, que sofreu nas mãos, pés, joelhos e tudo o que viesse na encomenda de Materazzi quando jogava pela Juventus, provocou o italiano.

- Se Materazzi me tivesse atacado daquela forma, eu teria respondido num segundo! Materazzi causou todo o tipo de problemas e nós, do Barcelona, estamos estupefatos. Um jogador deve ter orgulho em vencer e não perseguir um jovem de 19 anos para o repreender.

Fala Leonardo Bertozzi, editor do site Trivela: “Balotelli é talentoso acima da média dos jogadores italianos, mas é um completo idiota.”

A vida segue para ambos os jogadores. Balotelli deve receber uma alta multa, mas permanece no time até o fim da temporada pois Moratti quer. A premissa do Robinho italiano já foi dada.

Fala Nelson Oliveira, do blog Quatrotratti: “Parece mais do que claro que não há mais clima para o jogador no clube, embora Moratti insista em blindá-lo.”

FBL-ITA-INTER-ROMA

O jogo da rodada foi Roma x Internazionale. Não só pelo nome. Não só pelas novas posições que as equipes estão na tabela. Não só pelo resultado. Mas também pelo campeonato que Claudio Ranieri faz.

É de praxe endeusar certo jogador pela temporada que seu time fez e os técnicos, quase sempre, ficam de lado.

Desde novembro os giallorossi não perdem no Italiano. São 21 jogos de invencibilidade, sendo 15 vitórias. A Roma só perdeu no mês passado para o Panathinaikos, pela Europa League. Mas isso não vem ao caso.

Claudio Ranieri escreveu seu nome como o protagonista do Calcio 09/10. A Internazionale atingiu o seu limite – ou está próximo disso. A líder tem apenas um ponto de vantagem para seus rivais da capital.

É para aplaudir de pé a campanha que a Roma faz. É para aplaudir de pé o futebol que Vucinic está jogando. É para aplaudir de pé o futuro dono do scudetto… No papel. Aqui estão as razões.

Enquanto isso, De Rossi marca. Julio César franga. Taddei chuta errado. A zaga falha. Toni balança a rede. E sai para o abraço.

PS: por que Doni na seleção? O reserva da Seleção agora é reserva da Roma. Ponto. Júlio Sérgio faz uma ótima temporada. Ponto. No Calcio, perdeu apenas um jogo debaixo das balizas giallorossi. Alô, Dunga…

PS2: o player abaixo mostra a comemoração dos tifosi romanos após o término da partida. Assistam. Vale muito a pena.

Classificação: Inter 63, Roma 62, Milan 60, Palermo 51, Napoli 48, Juventus 48, Sampdoria 48, Fiorentina 44, Genoa 44, Bari 43, Parma 42, Cagliari 40, Chievo 38, Catania 35, Bologna 35, Lazio 33, Udinese 32, Atalanta 28, Siena 26, Livorno 25.

Fotos: Reprodução e Ansa

A Internazionale apresentou um bom futebol diante do Livorno, venceu por 3 a 0 e fica na liderança do Calcio por mais uma rodada.

Vi muitos lugares enaltecendo Samuel Eto’o e seu gol de bicicleta. Pandev também jogou bem. Mas é válido lembrar que Balotelli, novamente, ficou fora da lista dos convocados para o jogo.

Ele, que se envolveu em polêmicas durante a semana, precisa crescer. Precisa ter maturidade para vestir a camisa nerazzurri.

Balotelli tem um futuro brilhante e precisa aproveitar a chance que tem em um dos maiores times da Itália – apenas da Itália. Quantos atletas não gostariam de atuar no San Siro?

Mas são tantos os jogadores que também tinham uma carreira brilhante.  Tantos jogadores que já foram comparados com grandes atletas de outras gerações. Foi assim com José Antonio Reyes, Ryan Babel, Nicolae Mitea…

Foto: Reprodução

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